Ocupação Giramundo leva o universo lúdico das marionetes para São Paulo

Grupo que já foi inspiração do mineiro Ronaldo Fraga fica em cartaz até o dia 11 de janeiro de 2015, no Itaú Cultural, com seus 44 anos de história

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Um fantástico mundo de bonecos invadiu São Paulo. Até o dia 11 de janeiro o Itaú Cultural será a casa do grupo Giramundo. Que energia move marionetes construídas de madeira, pano e resina? Como elas nascem e como ganham personalidade? Em sua 21ª edição, o programa Ocupação Itaú Cultural mergulha num universo lúdico e realiza uma viagem pela trajetória da companhia mineira.

Em atividade há mais de 40 anos, o coletivo é referência no campo do teatro de bonecos ‒ tanto pela qualidade das suas produções quanto pelo grau de experimentação que elas trazem à cena. A mostra ‒ que conta com a curadoria de Beatriz Apocalypse, Marcos Malafaia, Ulisses Tavares.

Além de bonecos originais representativos de diversos momentos do grupo, o percurso desvenda o processo de criação de personagens, passando pelo desenho, pela construção, pelo figurino e pela pintura. Marcos Malafaia destaca a importância do desenho para a companhia. “O Giramundo é um grupo que desenha. O espetáculo todo é visto anteriormente em um desenho”, conta.

Durante o período da mostra, às quintas e sextas-feiras, um artista instala sua oficina no espaço expositivo e o público pode assistir à concepção e ao nascimento de uma marionete. “No teatro de bonecos existe uma confluência muito grande de todas as belas-artes. A gente pinta, esculpe, interpreta, canta e o boneco está no meio disso. Ele é a mídia. Nós trabalhamos com ele para nos expressar em todas as formas”, conta Ulisses Tavares.

Um boneco, no entanto, só revela todo seu poder e sua magia inserido em sua história, em seu contexto, ganhando vida durante a encenação. “Para ser um bom marionetista é necessário observar, observar muito a vida e a natureza para que seja possível reproduzirmos movimentos e expressões em cena”, completa Beatriz Apocalypse. Por isso, aos sábados e domingos, o local vira palco para a apresentação de trechos de diferentes espetáculos da companhia.

Feitas para ser manuseadas de diferentes maneiras – por meio de fios, de varas, de luvas… –, as criaturas desenhadas, modeladas, pintadas e vestidas pelo grupo já estrelaram 34 espetáculos, também eles bastante diversos: de peças baseadas em contos de fadas ou lendas da cultura popular brasileira a óperas e apresentações multimídia.

O Giramundo foi fundado em 1970, em Belo Horizonte. Na década de 1950 o artista plástico Álvaro Apocalypse (1937-2003) tornou-se professor na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde conheceu sua futura mulher, Terezinha Veloso (1936-2003), também artista plástica e docente no local. Em 1970, os dois iniciaram uma parceria artística com a aluna Maria do Carmo Vivacqua Martins, a Madu, bolando apresentações cênicas informais para crianças, familiares e amigos. Dessas sessões surgiu a inventiva A Bela Adormecida, considerada a primeira produção do grupo.

44 anos de girando pelo mundo

Criado em 1971, em Belo Horizonte, pelos artistas plásticos Álvaro Apocalypse, Terezinha Veloso e Madu. A estrutura institucional do Giramundo é composta pelo Museu, Teatro, Escola, Estúdio de Animação e Produtos, o que o define, mais como um centro de pesquisa e referência do que uma organização teatral convencional.

O Giramundo é um mutante. Em seus 44 anos até aqui, produziu dezenas de montagens, centenas de bonecos, milhares de desenhos e um tanto mais de histórias para milhões de expectadores. Consumiu madeira, gente e sonho transformando tudo isso em bonecos animados.

O obra do mestre Apocalypse não se dissolveu, e continua a correr por novos fios. Em seus rodopios, o Giramundo retratou o Brasil, dançou conforme a música e inoculou experimentação na cena do teatro de bonecos do Brasil. Dando uma volta pelo Giramundo podemos assistir flashes de muitos momentos e sentir nos gestos imobilizados de seus bonecos, a sua vida, essa sim, repleta de movimento.

Moda Teatral

Giz, o espetáculo do Grupo Giramundo que inspirou a coleção de Inverno 2009, de Ronaldo Fraga
Giz, o espetáculo do Grupo Giramundo que inspirou a coleção de Inverno 2009, de Ronaldo Fraga

O contador de histórias Ronaldo Fraga em sua coleção de Inverno 2009, “Tudo é risco de giz” foi inspirado pelo espetáculo “Giz”, de 1988, do grupo Giramundo. O desfile nas palavras do estilista falava sobre um “abandono, desamparo, a sensação de uma casa vazia com todos os móveis cobertos de lençóis brancos… Atemporal, ele fala do novo e do velho como início e fim do traço. Universal, ele cria personagens-bonecos, espelhos do homem comum, pendurados como o velho vestido esquecido no cabide”.

Uma coleção que teve idosos como modelos e roupas desenhadas em volumes sombreados na tentativa de transportar do quadro negro para a vida real, personagens de giz. Preto, branco e cinza colorem sedas, linho, lãs e bases de algodão.

Serviço:

Ocupação Giramundo

Até 11 de janeiro de 2015

novo.itaucultural.org.br

 

Texto original Puretrend.com.br

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