PENSATA: MUITO MAIS QUE VITRINE DE LOJA…

A tenda do Fashion Rio na  Marina da Glória (imagem: Agência Fotosite)
A tenda do Fashion Rio na Marina da Glória (imagem: Agência Fotosite)

Primeira vez em um desfile do Fashion Rio. Para quem nunca esteve em um é um choque. Não um choque de realidade ou coisa parecida. É que para quem acompanha pela TV ou mesmo pelos sites de moda, tudo é bem diferente. Tive a oportunidade de ver coisas que achei que eram só em filme: mulheres ultra montadas, gente com a aparência que causaria olhares de descontentamento do mais tradicionalistas e, o que chamou mais a minha atenção: milhares de máquinas fotográficas voltadas para uma pessoa, no meu limitado conhecimento sobre o mundo da moda, aleatória.

Mas nada disso me chocou mais que ver o Fashion Rio, que na minha memória afetiva de espectadora externa era enorme, como um evento pequeno (na sala de desfile eu conseguia ver todo mundo!) e que movimenta milhões em investimentos – não somente com relação aos desfiles, mas principalmente ao mercado de trabalho. Além de tudo que rege a produção das coleções em si (desenhistas, costureiras, estampas, tecidos etc), esses eventos precisam pessoas para a infraestrutura e também para levar o que acontece lá dentro para quem está do lado de fora – como eu sempre estive.

Ao contrário do que muita gente pensa – que é cheio de pessoas fúteis e blá blá blá – o que vi foi um alto profissionalismo. Não é um evento para aventureiros como eu. Naqueles corredores e naqueles lounges, tenho certeza, tem mais que só sorrisos e taças de espumantes. Aquilo respira negócios. Parece que todos estão ali para ver, mostrar, estudar, criar, trocar informações… Tem gente que tá ali só para dar pinta? Com certeza. Eu, por exemplo. Fui parar lá porque um amigo não pode ir e me cedeu o convite dele. Fiquei animada mas não sabia nem que roupa iria vestir. O que eu via na TV era demais para o que eu tinha. Olhei meu guarda-roupa e… SOCORRO!

A síndrome do nada para vestir me pegou de jeito. Liguei para um e para outro pedindo dicas de como ir. O que escutei de mais precioso: se for de salto, vai com salto grosso, o piso é de madeira e o salto prende no friso. E lá fui eu de salto grosso e vestidinho. Até maquiagem eu fiz para não ficar muito deslocada. A surpresa: eu toda preocupada com o tal do visual – já que era um evento de moda – e, no fim das contas, o que vi foi gente para caramba trabalhando. De verdade: suadas, de shorts, camisa, tênis, peso nas mãos. Milhares de lentes. Seguranças, garçons, vendedores de lojinhas de comida, jornalistas. Estes, aos montes! Devia ter mais jornalista que público, creio eu. Agora, as cenas que descrevi no início desse texto. Isso é o que vai parar nas nossas manchetes e, vou falar, lá dentro nada é tão glamouroso assim como chega para gente nas revistas e na televisão. O que a gente vê ali deve ser o quê? Um por cento de tudo que acontece? O mundo da moda é muito maior que modelos e desfiles. Descobri meu preconceitos e abri meus olhos. Um evento de gente que rala, seja ali na hora no corre-corre ou nos meses que o antecedem, como pesquisas, desenvolvimento de coleções, tecidos, cortes, estruturas, divulgação etc etc etc. UFA! E só passei lá umas horinhas…

O convite do desfile da Lenny (imagem: Érica Ribeiro)
O convite do desfile da Lenny (imagem: Érica Ribeiro)

*Érica Ribeiro é jornalista, mestranda em Comunicação na UFF e amante de forró.

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