JE SUIS LA FEMME: AUTORA DA BÍBLIA DO FEMINISMO, SIMONE DE BEAUVOIR FARIA 106 ANOS SE ESTIVESSE VIVA

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O Google hoje fez um Doodle em homenagem aos 106 anos de Simone de Beavoir. A autora lançou ao todo 21 livros e celebraria hoje o seu 106º aniversário. A imagem na página inicial do buscador mostra um desenho de Simone e o seu favorito “Le Café de Flore”, em Paris, onde encontrava-se com Jean-Paul Sartre. Famosa pela frase: “Não se nasce mulher, torna-se mulher.” A mulher não tem um destino biológico, ela é formada dentro de uma cultura que define qual o seu papel no seio da sociedade. As mulheres, durante muito tempo, ficaram aprisionadas ao papel de mãe e esposa, sendo a outra opção o convento. Porém, a própria Simone rompe com esse destino feminino e faz de sua vida algo completamente diferente do esperado para uma mulher.

Simone de Beauvoir tinha 41 anos quando publicou “O Segundo Sexo”, em 1949. Já naquela época a obra levantou inúmeras polêmicas. Uma das principais acusações é que Simone ridicularizava os homens. Isso é uma acusação que muitos usam contra o feminismo. Porém, as pessoas parecem não querer compreender o que realmente se passa na vida das mulheres e como todo o poder está concentrado nas mãos dos homens. “O Segundo Sexo” não é uma fonte historiografica para conhecer a história da mulher desde a antiguidade. É uma obra de inspiração, fundamental para descortinar a maneira pela qual as mulheres são criadas justamente para serem menos que os homens.

Batizada de Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir, era a mais velha das duas filhas de Georges Bertrand de Beauvoir, um advogado em tempo integral e ator amador, e Françoise Brasseur, uma jovem mulher de Verdun. Nasceu em Paris como Simone (então um nome pomposo que seu pai gostava) – Lucie (por sua avó materna) – Ernestine (por seu avô paterno, Ernest-Narcisse) – Marie (pela Virgem Maria) Bertrand de Beauvoir (ela foi orientada enquanto criança a dar seu nome como simplesmente “Simone de Beauvoir”).

Em 1909, o avô materno de Beauvoir, Gustave Brasseur, presidente do Banco Meuse, faliu, jogando toda a sua família em desonra e pobreza. A família lutou durante toda a infância das meninas para manter seu lugar na alta burguesia, e Georges dizia frequentemente: “Vocês, meninas, nunca se vão casar, porque vocês não terão nenhum dote”.

Beauvoir sempre esteve consciente de que seu pai esperava ter um filho, ao invés de duas filhas. Ele afirmava, “Simone pensa como um homem!” o que a agradava muito, e desde pouca idade Beauvoir distinguiu-se nos estudos. Georges de Beauvoir passou seu amor pelo teatro e pela literatura para sua filha. Ele ficou convencido de que somente o sucesso acadêmico poderia tirar as filhas da pobreza.

No final da década de 40, a escritora feminista escreveu “O Segundo Sexo”, a bíblia das feministas, lançado dois anos depois do New Look, Simone de Beauvoir repudia todos os sinais de “mulherzinha”: das unhas longas à cinturinha de pilão. Temos uma educação “vestimental” cheia de regras e interditos que mudam de época para época e nos dizem sobre nossas crenças, nosso erotismo, nosso sentido de alteridade. São as roupas, como escreveu Virginia Woolf, “que nos usam, e não nós que usamos as roupas; podemos fazê-las tomar o molde do braço ou do peito; elas, porém, modelam nossos corações, nosso cérebro, nossa língua, nossa vontade.”.

“O Segundo Sexo”, Simone de Beauvoir, parte do princípio existencialista-marxista de que “a existência precede a essência”, os Socialistas Livres, ao longo da história, sempre recusaram pensar uma essência primeira para o gênero feminino, em outras palavras, primeiro o ser existe, depois, em liberdade, exerce escolhas que vão criando a constitutividade político-discursivo-ideológica desse sujeito social, não importa se este ser nasce como um corpo dotado de genitálias masculinas ou femininas.

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