AFRICANIDADE: TURBANTES VALORIZAM O VISUAL, DÃO O TOM DO VERÃO E ASSUMEM A IDENTIDADE NEGRA

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A palavra turbante, de origem persa dulband, consiste numa grande tira de pano de até 45 metros de comprimento enrolada sobre a cabeça, de uso muito comum na Índia, no Bangladesh, no Paquistão, no Afeganistão, no Oriente Médio, no Norte da África, no Leste da África (principalmente no Quênia), no Sul da Ásia e em algumas regiões da Jamaica.

A origem da peça é desconhecida, mas sabe-se que já era usado no Oriente muito antes do surgimento do islamismo. As inúmeras formas de amarrar o turbante representam uma espécie de linguagem popular, podendo indicar a posição social, a tribo a que a pessoa pertence e até mesmo o seu humor naquele momento. O uso mais intensivo do turbante se estende por toda a Ásia e pela África.

Entre as décadas de 10 e 20 quando o orientalismo esteve na moda em Paris, seu uso tornou-se comum em festa à fantasia, como as realizadas por Paul Poirret. O estilista os usava também como complemento em muitas de suas criações. A partir dos anos 40, o acessório ganhou a simpatia das estrelas de Hollywood, que o popularizaram em filmes e na vida real. Nos anos 60, nos Estados Unidos versões simplificadas foram muito usadas para demonstrar o orgulho negro. Voltando à moda, o acessório foi bem explorado pelos desfiles de alta-costura. Yves Saint-Laurent apresentou vários modelos em sua coleção Ballets Russes – Ópera, em 1976. Em 1999, os turbantes enfeitaram a passarela do francês Jean Paul Gaultier.

Mulheres importantes ao longo da história usaram e abusaram da peça como as atrizes Greta Garbo e Lana Turner, a política colombiana Piedad Córdoba, a francesa Simone de Beauvoir, e a nossa pequena notável, Carmen Miranda.

Por isso, o Absurdinhus conversou com cinco pessoas que não dispensam os turbantes e usam em todo o tipo de ocasião – a estilista da Devassas.com Ligia Parreira, o designer Léo Caettano, a professora de educação física Marcia Rodrigues, a jornalista Carol Anchieta e a hostess Cinthia Felizardo.

Ligia acredita que quando uma mulher usa um turbante ela fica como uma rainha. “O turbante é uma coroa. Além de remeter a ancestralidade africana”, conta a estilista que começou a usar há uns seis anos atrás, depois que assumiu o cabelo afro, estilo Black Power, e perceber que o volume favorecia as amarrações.

A estilista da Devassas.com Ligia Parreira
A estilista da Devassas.com Ligia Parreira

Carol conta que começou a usar turbantes depois de descobrir os acessórios da marca Boutique da Krioula, numa freirinha de artigos afros. “As meninas me ensinaram a usar de diversas maneiras e para mim que preciso variar os cabelos para entrar ao vivo todos os dias no jornal foi uma ótima opção para ir além das tiaras e tradicionais faixas de cabelo” (Carol é apresentadora no Canal Futura), e completa, “e tem é claro a questão do estilo afro que eu gosto muito. Desde que passei a usar o cabelo nesse corte afro as opções de mudar o visual são ótimas, achei meu cabelo, que antes vinha até o meio das costas, muito mais versátil”, finaliza feliz.

A jornalista Carol Anchieta
A jornalista Carol Anchieta

Achamos um amante dos turbantes, o designer Léo Caettano. Ele contou que começou a admirar e usar o acessório há uns cinco anos. “O turbante além de decorativo é funcional. Eu fiquei calvo e isso me incomoda, porque eu sempre fui vaidoso”. Sua fascinação começou na faculdade de moda quando desenvolvia uma pesquisa sobre a cultura negra. E Léo finaliza “ele é um acessório muito versátil e térmico. Esquenta nos dias frios, segura a transpiração excessiva no verão. Fora a possibilidade divertida de se poder usar cores, estampas, e amarrações diferentes, como se fosse um segundo cabelo”.

O designer e modelista Léo Caettano
O designer e modelista Léo Caettano

A extrovertida professora de educação física Marcia conta que sempre gostou de usar adereços na cabeça, de ser diferente. “Desde os anos 70/80 eu uso umas faixas, lenços e panos amarrados na cabeça”, conta orgulhosa. Marcia que foi criada pela avó diz que ela foi sua maior influência para curtir o acessório. “Minha avó usava muito, dizia ela que quando as mulheres ia para cozinhar usavam panos amarrados na cabeça”… Pedimos a ela uma dica: Ela disse que é preciso se JOGAR SIM, assumir os panos na sua cabeça, apesar de ter ainda (aff), preconceitos, pessoas te olharem achando que você é um ET, mas, não tenham medo. Se olhe, se admire…”

A professora de educação física Marcia Rodrigues
A professora de educação física Marcia Rodrigues

Cinthia é adepta do adorno desde 2005. “Comecei a usar quando fiz um evento no 00, e pegou fogo em um tecido e as meninas do bazzar iam jogar fora. Fiquei pensando o que eu poderia fazer com aquele pedaço. Coloquei na cabeça, e gostei.” Daí para pegar o gosto foi um pulo. “Como trabalho a noite (ela é hostess) ele é ótimo, deixa a minha cútis sempre bem”. A hostess diz que o turbante pode e deve ser usado em qualquer ocasião. “Uma vez o Fernando Torquato me falou: Você é demais, veste e assumi! Então para usar turbantes você tem que se assumir. É como uma roupa. Não saiu sem. Confesso que estou tentando me livrar um pouco, mas, não consigo de tanto que gosto e fica bom.

A hostess e gerente do Zozô Cinthia Felizardo (foto: Raul Aragao / I Hate Flash)
A hostess e gerente do Zozô Cinthia Felizardo (foto: Raul Aragao / I Hate Flash)

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