PENSATA: NOITE DE NATAL SE DIVIDE ENTRE O ROMANTISMO DE ROBERTO CARLOS E AS INVENCIONICES DE TOM ZÉ

Especial Roberto Carlos

 

A única coisa que você pode ter certeza no final do ano é que Roberto Carlos cantará no especial da TV Globo. E se por um lado, o canal aberto na noite de Natal exibia um programa para a família brasileira, o tradicional Show do Rei, que completou 40 anos; o canal a cabo GNT, exibia o documentário “Fabricando Tom Zé”, que tem como fio condutor a turnê de 2005 do cantor.

Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Discos, a ABPD, Roberto Carlos é o artista solo com mais álbuns vendidos na história do Brasil. Seus discos já venderam mais de 120 milhões de cópias e bateram recordes de vendagem – em 1994 chegou à marca de 70 milhões – incluindo gravações em espanhol, inglês e italiano. Seu único “fracasso” parece ter sido o disco “Roberto Carlos Remixed”, lançado neste mês de dezembro, com participações dos DJs Memê, Felipe Venâncio, Mau Mau e Dexterz.

É engraçado refletir sobre o título “Fabricando Tom Zé”, pois, o baiano é uma das figuras mais originais da nossa música. A não ser, que o diretor Décio Matos Jr. pensou que Tom Zé é uma grande fábrica de ideias. O documentário brasileiro produzido em 2006, pela Primo Filmes em co-produção com Spectra Mídia, Muiraquitã Filmes, Goiabada Productions e RT Features, foi lançado comercialmente em 2007. O filme retrata a vida e obra de um dos mais controversos Tropicalistas, cujo fio condutor é sua turnê pela Europa em 2005.

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O longa mistura diferentes formatos de vídeo, película e animação para mostrar uma detalhada visão do universo musical de Tom Zé, para o qual um baixo e um esmeril têm a mesma importância melódica. Em entrevistas bem intimistas, ele narra diversas fases de sua vida e conta como começou sua carreira na década de 60, o ostracismo nos anos 70 e seu ressurgimento no início anos 90.

Como de costume, em seu show especial, o Rei da Jovem Guarda, convida os cantores do momento para em conjunto darem um tom pop à noite; e desta vez, foi à meiga e abusada, Anitta, que fez um dueto/ meddley de “Show das Poderosas” e “Se você pensa”. Antes disso, a humorista Tatá Werneck fez uma breve esquete interpretando uma “robertomaníaca”. Com Tiago Abravanel, o Rei lembrou sucessos imortalizados por Tim Maia. O Tremendão, Erasmo Carlos, também prestigiou a festa do irmão camarada; assim como Lulu Santos que cantou “As curvas da Estrada de Santos”.

Dizem que Roberto é um “sugador” de sucessos, pois, alguns dos nomes que dividiram o palco com o Rei ficaram esquecidos pela mídia – Kelly Key, Michel Teló, Mc Leozinho… Vale correr para uma benzedeira Anitta.

Roberto foi um dos primeiros ídolos jovens da cultura brasileira e, pioneiro no Brasil do movimento rock’n’roll surgido nos Estados Unidos ao longo da década de 1950. Embora tivesse iniciado a carreira sob influência da Bossa Nova, no início da década de 1960, Roberto mudou seu repertório para o rock. Com composições próprias, geralmente feitas em parceria com o amigo Erasmo Carlos, e versões de sucessos do então recente gênero musical, fundando as bases para o primeiro movimento de rock no Brasil. Com a fama, estrelou ao lado de Erasmo Carlos e Wanderléa um programa na TV Record chamado Jovem Guarda, que daria nome ao movimento musical. Além da carreira musical, estrelou filmes inspirados na fórmula lançada pelos Beatles – como “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura”, “Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa” e “Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora”.

Na virada para década de 1970, reformulou seu repertório e se tornou um cantor e compositor basicamente romântico. Logo também mudava seu público-alvo, que deixou de ser o jovem e passou a ser o adulto. Atualmente continua se apresentando com frequência e produz anualmente um especial que vai ao ar na semana do Natal pela Rede Globo, mesma época em que costumavam ser lançados seus discos anuais. Entre 1961 e 1998, Roberto lançou um disco inédito por ano. Dezenas de artistas já fizeram regravações de suas músicas, entre os quais Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia.

O Rei do “Iê, iê, iê”, Roberto com um som bem comercial, é aplaudido e admirado pelos nostálgicos e românticos de plantão; do outro lado quase no underground, Tom Zé com toda sua genialidade não tem reconhecimento nacional. Tom é um eterno revolucionário, um experimentalista nato, quase um canibalista da cultura brasileira. Já Roberto invade as rádios com “Esse cara sou eu”. “Quase deixamos o Tom Zé ser esquecido”, diz Caetano Veloso no documentário. Esse homem que “transformar qualquer coisa em música” teve sua genialidade reconhecida pelo mineiro e intelectual da moda, Ronaldo Fraga, que apresentou em 2004, no SPFW, uma coleção chamada “São Zé”.

Tom Zé é considerado uma das figuras mais originais da música popular brasileira, tendo participado ativamente do movimento musical conhecido como Tropicália nos anos 1960 e se tornado uma voz alternativa influente no cenário no Brasil. A partir da década de 1990 também passou a gozar de notoriedade internacional, especialmente devido à intervenção do músico britânico David Byrne. Tom é torcedor fanático do Corinthians, tanto é que, em 1990, fez uma música em homenagem ao jogador Neto, o Xodó da Fiel, em alusão à sua não convocação para a Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo de 1990. “Eu sou um brasileiro, pobre, fudido, com pele e cabelo ruim, mal vestido… Mas, faço uma música altamente sofisticada”, declara Tom Zé, no filme em sua homenagem.

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