FALANDO AINDA DE BANGLADESH: EMPRESAS SE UNEM PARA DAR MELHORES CONDIÇÕES AOS TRABALHADORES DA MODA

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Como dissemos num outro post, Bangladesh passa por maus momentos, após um desabamento e um incêndio de prédios que abrigavam fábricas têxteis, que resultou na moderna de 1.127 trabalhadores. O governo local anunciou que permitirá a formação de sindicatos do setor, mesmo sem o consentimento dos proprietários de fábricas. Outra nova medida já divulgada foi à assinatura de um acordo com redes varejistas – H&M, C&A e Zara, que terão a missão de ajudar no financiamento de melhorias na segurança das confecções que utilizam no país.

A H&M foi a primeira a se comprometer com o acordo, que é previsto para durar, inicialmente, cinco anos e cobre dezenas de fábricas em Bangladesh. Logo, se uniram à varejista sueca a holandesa C&A, as britânicas Primark e Tesco e as espanholas Mango e Inditex, dona da Zara. Além do financiamento de reparos necessários à segurança, o plano, segundo a revista “Valor”, determina a criação de um órgão de fiscalização independente, que possa multar e até fechar fábricas em condições irregulares.

Segundo reportagem do “The New York Times”, a Inditext, a H&M e a C&A pediram a outras grandes marcas que deixem de trabalhar com quem não seguir as medidas básicas de segurança. “Esperamos que haja uma ampla participação para que o acordo seja eficaz no local”, diz um comunicado da H&M, a empresa que é a maior compradora de roupas do país asiático, segundo o El País. A Tesco e a Primark também se juntaram ao acordo, promovido pelo sindicato internacional IndustriALL e por uma rede de organizações não governamentais, adianta o The New York Times.

Charge de Alexsandro Palombo, do Humor Chic
Charge de Alexsandro Palombo, do Humor Chic

Também a Benetton, o Carrefour, a Marks & Spencer e o El Corte Inglés sinalizaram a intenção de aderir ao acordo, assim como a G-Star e a Stockmann. Bill Chandler, vice-presidente de assuntos coorporativos da Gap Inc., disse que a marca está a “seis frases” de se comprometer, revelando que há quem deseje a modificação de certas cláusulas do plano, que possui caráter vinculativo, ou seja, após assinado, torna-se obrigatório e submetido à arbitragem; segundo o “WWD”, as varejistas que o assinaram têm de 30 a 45 dias para se adequar a todas as exigências impostas.

As medidas, apesar de anunciadas há pouquíssimo tempo, já causaram bastante repercussão internacional, mas a holding PVH Corp., detentora das marcas Calvin Klein e Tommy Hilfiger, foi a única empresa americana a se comprometer com o acordo até agora. Já o Wal-Mart liberou na internet um comunicado em que diz que “a companhia não está em posição de assinar o acordo da IndustriALL [Global Union] agora” e que realizaria, nos próximos seis meses, uma inspeção nas 279 fábricas que usa em Bangladesh. As entidades responsáveis pelo plano, entre elas várias não governamentais, instituíram a meia-noite desta quarta-feira (15.04) como prazo final para assiná-lo.

Bangladesh possui cerca de cinco mil fábricas têxteis e é o terceiro maior exportador de itens ligados ao vestuário, atrás apenas da China e da Itália (59% das exportações do país vão para a União Europeia, enquanto 26% dirigem-se aos Estados Unidos). Lá, no entanto, não se paga tão bem quanto se produz: o salário mínimo dos trabalhadores no setor é de (míseros) US$ 38,55 (R$ 77,77). Espera-se o aumento desse valor em breve, já que autoridades locais garantiram a criação de um conselho para tal fim. “É como se as mortes não tivessem sido absolutamente em vão. É um jeito triste de fazer as coisas mudarem, e vem com um custo muito alto, mas, ao menos, estamos vendo o governo reagir”, falou ao “WWD” Mohammed Altaf, trabalhador do distrito de Savar, no subúrbio de Dacca.

PROTESTO

Protestos na Espanha
Protestos na Espanha

Uma campanha, tanto na internet como na frente das lojas, para recolher assinaturas está causando muito burburinho no mundo da moda, para melhores condições de trabalhos em Bangladesh, até agora a mobilização já conta com mais de 900 mil assinaturas.

Encerradas as operações de resgate no Rana Plaza, e depois de vários protestos de trabalhadores e de apelos de países de todo o mundo para uma melhor das condições laborais, o Governo do Bangladesh decidiu aumentar o salário mínimo dos trabalhadores da indústria têxtil.

O executivo anunciou que irá reunir uma comissão de representantes das fábricas, líderes sindicais e elementos governamentais, para decidir as novas condições dos trabalhadores. Uma promessa que tinha sido feita pela primeira-ministra do país poucos dias após a tragédia.

Segundo o porta-voz do ministério responsável pelo sector têxtil do país, Tarek Zahirul, citado pelas agências noticiosas internacionais, “a comissão terá três meses para deliberar sobre estas condições, mas o aumento do salário mínimo entrará em vigor com efeito retroativo desde 1 de Maio”.

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