POLÊMICA: LIVRO SOBRE A JOVEM GUARDA É LANÇADO E ROBERTO CARLOS ENTRA COM AÇÃO JUDICIAL

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A editora Estação das Letras e Cores lançou este mês o livro “Jovem Guarda – Moda, Música e Juventude”, da autora Maíra Zimmermann. Mas, os advogados de Roberto Carlos enviaram, no início deste mês, uma notificação extrajudicial pedindo a interrupção da venda e o recolhimento dos exemplares à disposição, em livrarias, alegando que a obra estaria explorando a imagem do cantor.

A publicação fala da constituição de um estilo jovem no Brasil nos anos 1960. “As referências são analisadas por meio das transformações que a moda passou ao longo desta década –bastante formal no início e mais libertária no final”, explica a autora.

Maíra sempre teve interesse na música da época, principalmente nos Beatles. “A moda e a música estão relacionadas na construção de um estilo de vida jovem, que no Brasil teve a Jovem Guarda como referência e ficou conhecido como iê-iê-iê brasileiro. A junção entre elas apresentada pelos ídolos da Jovem Guarda põe em voga no Brasil um modo de vida adolescente”, completa. Para ela, Wanderléa foi um modelo de novos comportamentos e maneira de se vestir da época, pois foi o estilo dela que divulgou no Brasil, por exemplo, a moda da minissaia. “Wanderléa é um ícone de uma nova maneira de ser feminina da época”, finaliza.

“O estilista Ronaldo Fraga, por exemplo, também utiliza muito esta silhueta em ‘A’ do período, apesar de nunca ter se inspirado diretamente na Jovem Guarda”, diz Maíra e completou “As roupas funcionam como uma forma de comunicação. Apesar de ter virado moda já neste período, o estilo andrógino ainda causa estranhamento”.

Batalha Judicial

Os advogados do cantor Roberto Carlos enviaram, no início deste mês, uma notificação extrajudicial pedindo a interrupção da venda e o recolhimento dos exemplares à disposição, em livrarias, de “Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude”, de Maíra Zimmermann, lançado no último dia 4 de abril pela Estação Letras e Cores.

Resultado de uma dissertação de mestrado em moda, cultura e arte no Centro Universitário Senac e publicado com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o livro aborda a relação do movimento com a consolidação da cultura juvenil no Brasil dos anos 1960.

Segundo a notificação, “o livro traz uma série de situações que envolvem o notificante [Roberto Carlos] e traz detalhes sobre a trajetória de sua vida e intimidade”. Além disso, diz o texto, “a própria capa do livro contém caricatura do notificante e dos principais integrantes da jovem guarda sem que eles nem sequer fossem notificados”.

Zimmermann, que contratou um advogado e enviou uma contra notificação ao escritório de Roberto Carlos, diz que a obra não trata da intimidade do cantor. “A impressão que dá é que eles não tiveram contato com o livro.” Ela destaca que a pesquisa se baseou em arquivos e revistas dos anos 1960. “Não fui bisbilhotar fofocas. É uma pesquisa superséria, resultado do meu mestrado.”

A notificação alega que “a publicação das fotografias também violou o direito autoral de determinados fotógrafos, que não concederam autorização para publicação de suas fotos”. A autora diz que o volume tem apenas uma foto de Roberto Carlos, posada, junto com Erasmo Carlos, Wanderléa e outros personagens do movimento. A imagem foi comprada de uma empresa licenciada pela editora Abril, detentora dos direitos.

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