SPFW DAY V: EDIÇÃO DE VERÃO 2014 DO SPFW SE DESPEDE CHEIO DE ENERGIA

IMG_3982

O último dia de SPFW contou com quatros desfiles, cada um com sua parcela de drama e emoção. Teve homenagem a Lygia Clark; um mergulho no universo das porcelanas; a desconstrução pelo amor das princesas; e as “loucuras” de Lino Villaventura.

A homenagem da UMA para Lygia Clark (imagens: Charles Naseh, site Chic)
A homenagem da UMA para Lygia Clark (imagens: Charles Naseh, site Chic)

Raquel Davidowicz da UMA se encantou com o universo da artista plástica Lygia Clark, depois de ver sua exposição no Itaú Cultural, em São Paulo. Depois de entrar em contato com Alessandra Clark, neta da artista. A aprovação de um pedido assim é precedida de uma profunda análise, então Raquel teve que mandar os croquis da coleção, já no desespero por uma resposta, pois o prazo para finalizar o desfile já estava apertado. Duas semanas mais tarde, veio à resposta positiva. “Fiquei encantada”, diz Alessandra. “Eles conseguiram traduzir a poética do neoconcreto da Lygia nas roupas o tempo todo. Tudo foi executado com primor”.

Não consigo entender, o porquê extremamente difícil viabilizar parcerias assim em um momento em que famílias que guardam a obra de artistas brasileiros vetam a maioria de exposições a livros.

Lygia nunca ficou presa a uma plataforma somente. Buscava o movimento e deslocava sua arte no espaço, “longe do espaço claustrofóbico da moldura”. Dessa forma, Raquel construiu suas roupas sem se prender a uma silhueta, com camadas, sobreposições e leveza. Tinha espaço para o ar circular.

A coleção é minimalista, muito leve e usável, que vai direto das passarelas para as araras. Engraçado notar como uma marca que sempre teve um olhar mais conceitual sobre a moda, unida a uma artista visionária, resultou em uma coleção comercial, fácil de entender e de usar, e com muito bom gosto.

Na cabeça das meninas, réplicas da obra “Bichos”, que também está presente na estamparia. Na passarela, uma réplica da obra “A Casa é o Corpo”, de 1968. E a trilha também é toda Lygia, com a linda “If You Hold a Stone (Marinheiro Só)”, que Caetano fez para a artista em 1971. A Uma irá vender em suas lojas 500 réplicas dos “mini bichos” de Clark, com todo o lucro revertido para instituições do Rio de Janeiro.

Looks da Têca (imagens: Charles Naseh, site Chic)
Looks da Têca (imagens: Charles Naseh, site Chic)

Hêlo Rocha da Têca se encantou com o universo das porcelanas antigas, riqueza dos detalhes pintados à mão em louças, vasos chineses e azulejos portugueses, além das esculturas do artista chinês Li Xiaofeng.

O desfile já começou impactante, por a cantora Roberta Sá, irmã da estilista, cantando a trilha do desfile num longuíssimo vestido branco. “Escolhi músicas do Moreno e do Caetano Veloso, para manter tudo em família. A primeira é ‘Mais alguém’, que faz parte do meu repertório, e a segunda, ‘Baby’, disse a cantora, que fez sua estreia nas passarelas no desfile da irmã.

Helô exibiu uma coleção madura, bem editada, de muito bom gosto e desejável. A porcelana antiga inspirou as estampas e os bordados artesanais, com ponto richilieu, típico do interior do Rio Grande do Norte, terra da estilista. Usando apenas agulhas, as artesãs fizeram uma combinação de pontos formando desenhos de arabescos e flores que estão na maior parte dos looks.

As princesas amorosas de R.Rosner (imagens: Charles Naseh, site Chic)
As princesas amorosas de R.Rosner (imagens: Charles Naseh, site Chic)

Quando vimos a prévia do desfile da R.Rosner ficamos pensando que o estilista Rodrigo Rosner, tinha tido um leve surto, pois, como o sentimento amor pode ser desconstruído. Mas, resolvemos esperar para ver.

Nas palavras de Rodrigo Rosner: “A gente vai falar da desconstrução do mito amoroso através da figura das princesas; vamos falar de sofrimento, tristeza, insatisfação, desejo não correspondido – é uma coleção melancólica”. As princesas em questão incluíam figuras de contos de fadas, como Cinderela e Branca de Neve, princesas da vida real e outras do imaginário do estilista; como tudo isso foi transcrito para a passarela? “Construí pequenas fábulas, ou aproveitei as que já existiam, ou peguei histórias da vida real, e cada vestido tem uma inspiração em uma princesa. Daí isso se reflete em um bordado, uma forma, ou na estrutura, na cor”, ele explicou.

Rosner imaginou para um dos looks “uma princesa em que o berço havia muitas traças, e ela foi mordida por elas quando era pequena, então ela comia os próprios vestidos. A gente trabalhou com esse bordado que é todo vazado, como se ela estivesse comendo o vestido; a ideia é essa”. No geral, o resultado foi uma coleção de looks individualmente fortes, de silhuetas, proporções e materiais muito distintos – mas todos com muita exuberância, como gosta a mulher R.Rosner.

O feminino dramático com um toque orientalista de Lino Villaventura (imagens: Charles Naseh, site Chic)
O feminino dramático com um toque orientalista de Lino Villaventura (imagens: Charles Naseh, site Chic)

A imaginação de Lino Villaventura é quase surrealista. Tem um “Que” de tropicalista e transgressora… Sem esquecer a brasilidade! Nesta temporada não poderia ser diferente, pois, sua criação viaja sem esforço, apenas seguindo a vontade e buscando no acervo de imagens guardado durante uma vida, dentro do pensamento do estilista”

É sempre um drama para mim escrever sobre uma coleção de Lino. Ele vai criando a moda freestyle; não tem um fio condutor, uma história única, uma ordem… É puro instinto e intuição, trabalha com sua imaginação, com seu passado, suas histórias de vida e desejos. Suas roupas são riquíssimas, adornadas por bordados, plissados, estampas e tecidos nobres, e o desfile sempre traz uma dose de drama, vide as poses das modelos.

O masculino exuberante de Lino Villaventura (imagens: Charles Naseh, site Chic)
O masculino exuberante de Lino Villaventura (imagens: Charles Naseh, site Chic)

“Será que pensei na Amazônia? No Pará? No Nordeste? Ou na Ásia ou em culturas milenares?”, questiona o estilista em seu release. Lino viaja longe. E faz falta à moda essa liberdade… Essa autoralidade e falta de compromisso poderia ser a grande saída da moda brasileira. O que é bonito disso tudo, é que Lino tem sempre um desejo pela exuberância e pela sensualidade… E como sempre um grande nome para encerrar o SPFW!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s