SPFW DAY IV: REVISITED, FUNDO DO MAR, ANOS 90, LUXO TROPICAL, FLORES E GEOMETRIAS DE UM JARDIM

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O quarto dia de SPFW contou com seis desfiles e cada um deles teve a sua dose de emoção. Alexandre Herchcovitch se inspirou numa coleção, sua, do Verão de 1999. A Amapô ficou seduzida pelo canto das sereias e mergulhou nesse universo. Juliana Jabour trouxe uma mulher mais madura com uma pitada de anos 90. A Osklen fez o melhor sabe, mostrar um luxo tropical. Samuel Cirnansck uniu o universo das flores a sensualidade feminina. E a Colcci trouxe uma bela coleção inspirada num jardim geométrico.

Looks Alexandre Herchcovitch (imagens: Charles Naseh, site Chic)
Looks Alexandre Herchcovitch (imagens: Charles Naseh, site Chic)

Alexandre Herchcovitch pegou uma máquina do tempo e voltou a sua coleção de verão, em 1999, para construir seu desfile feminino para o Verão de 2014. Sentimos falta nessa edição da apresentação masculina do estilista.

Na época, o experimentalismo já trazia marcas de sua identidade estética. Herchcovitch revê algumas peças daquele verão, criadas a partir de faixas de 10 cm enroladas no corpo da modelo. Refaz essa construção, mas introduz novos elementos, como referências a jaqueta perfecto, com zíperes, couro preto e modelagem.

Com exceção de sete looks, o desfile é preto e branco. E a junção das cores preto e branco, naturalmente evoluíram para uma estampa que lembra zebra, mas, sem perder a ideia do listrado. “A estampa foi pensada especialmente para a história da faixa, com uma faixa em cima da outra”, diz Herchcovitch.

Metade da coleção foi construída no corpo das modelos, o que fez com a que a prova de roupa levasse três dias em vez de um, e várias meninas tiveram que retornar ao ateliê mais de uma vez para ajustes. Se a clássica combinação (preta e branca) – e as listras – de novo dominam uma estação, está aqui uma maneira de usar nada óbvia e muito refinada.

A beleza foi inspirada no design estruturado da irlandesa Eileen Grey nos anos 20, Celso Kamura criou um visual refinado com maquiagem minimalista, e cabelo curto, de uma sedução elegante, com ondas e volume. Todos os produtos usados pelo maquiador são M.A.C.

Alexandre nunca faz nada fácil de ser captado. Ele sempre propõe uma estranheza e uma dificuldade que demoram um pouco para serem  absorvidas. Ele poderia contribuir com a cultura da moda se nos levasse pelas mãos aos caminhos de sua inspiração.

As sereias da Amapô (imagens: Charles Naseh, site Chic)
As sereias da Amapô (imagens: Charles Naseh, site Chic)

Amapô foi ao fundo do mar para buscar tesouros que servissem de inspiração para o Verão 2014 da marca. Com uma sereia inflável na passarela como decoração, aplicou um tratamento holográfico sobre o jeans ou brim, deixando-os perolados, e um efeito irregular do devorê em veludo, passando a ideia de corais.

Mas, foi no masculino que a dupla Carol Gold e Pitty Taliani trouxeram uma grande injeção de novidade, como de costume, com proporções amplas e divertidas descombinações de padronagen. Achamos “bacâna” os trenchs recortados. O feminino ainda se perde entre boas ideias como a saia com forma de diamante e looks mais fora da caixa, como os bodies que lembram uniforme de patinadoras no gelo.

O masculino da Amapô (imagens: Charles Naseh, site Chic)
O masculino da Amapô (imagens: Charles Naseh, site Chic)

A marca sempre optou por apresentações mais conceituais e autorais, em que todo seu universo de referências pudesse ser exposto. Deixa assim apenas de marcar sua posição de agente de renovação do mercado jeanswear, segmento que justamente está tomando o espaço das marcas autorais nas semanas de moda.

Looks Juliana Jabour  (imagens: Charles Naseh, site Chic)
Looks Juliana Jabour (imagens: Charles Naseh, site Chic)

A coleção de Verão 2014 de Juliana Jabour teve como fio condutor uma nova interpretação dos anos 1990, na perspectiva de uma mulher “madura, forte e decidida”. Lembrem-se que foi nessa época que a começou a se afirmar no mercado de trabalho em igualdade com os homens.

No backstag,e a estilista destacou uma “preocupação muito grande com a limpeza das formas, que eu acho que mostra um amadurecimento da marca; é uma coleção mais minimalista, longilínea, mais próxima ao corpo”. A silhueta, mais alongada e elegante; no lugar de seu recorrente balonê, por exemplo, surge o peplum, forte já há algumas temporadas. Mesmo o tie-dye, leve e discreto, consegue espaço nesta estética mais madura da marca, ao lado dos grafismos em “estampas primas”, como a estilista definiu.

Alguns looks femininos da Osklen (imagens: Charls Naseh, site Chic)
Alguns looks femininos da Osklen (imagens: Charls Naseh, site Chic)

A carioca Osklen trouxe como referências para essa temporada o design das pedras preciosas e semipreciosas, nas lapidações, transparência e cores das pedras. “O Rio vai viver agora um período longo de festas. Eu acho um luxo viver no Rio de Janeiro nesse equilíbrio do sofisticado com o despojado, mas como são as nossas festas, como é a maneira de se vestir? O que é esse luxo do Rio?”, pergunta Oskar Metsavah, diretor da marca.

Os looks masculinos sempre despojados na Osklen (imagens: Charles Naseh, site Chic)
Os looks masculinos sempre despojados na Osklen (imagens: Charles Naseh, site Chic)

A marca, que melhor vende o lifestyle da cidade do Rio de Janeiro, lapidou justamente esse luxo tropical no qual se tornou especialista e usou as pedras preciosas como ponto de partida para a modelagem, estamparia e cartela de cores. O resultado é um bom mix de peças usáveis e com design, que equilibram tecidos nobres e rústicos, looks monocromáticos e estampados. Uma harmonia entre o despojado e o sofisticado ou ainda, segundo Oskar, “os dois lados de Ipanema: a simplicidade, a cultura da praia e da natureza com a vida cosmopolita dos prédios da Vieira Souto, com todas as suas festas”.

As flores de Samuel Cirnansck (imagens: Charles Naseh, site Chic)
As flores de Samuel Cirnansck (imagens: Charles Naseh, site Chic)

Samuel Cirnasck tomou como referência para a próxima estação, a Indonésia, a febre das flores; e a Holanda com o perfume das flores. A partir dessas ideias, o estilista fez uma alusão com a vida e a sensualidade da mulher.

“A ideia foi olhar para o desabrochar de uma flor e conforme ela vai se abrindo a mulher vai se mostrando, exalando sua sensualidade. Uma alusão entre as flores e o tempo cronológico de uma mulher. Lembra do desabrochar da primavera”, contou o estilista.

Pitadas de orientalismo têm temperado esta edição do SPFW e é interessante ver como cada marca trabalha essa ideia. O gancho oriental fica por conta dos ricos bordados e da seda comprada na Índia com as cores mais usadas no país.

Das formas às camadas e recortes, tudo tem a ver com as flores. E os vestidos mostram esse processo com os modelos claros e leves do começo, com forma mais justa, que são as flores em botão; em seguida entram os vestidos com saias volumosas e amplas, em cores fortes, que representam o esplendor; e o final é marcado por silhuetas bem justas em dourado velho “como se a flor estivesse seca, morta”, ele diz. Uma coleção romântica e delicada que posiciona Samuel com cada vez mais força no segmento de festa.

Looks femininos da Colcci (imagens: Charles Naseh, site Chic)
Looks femininos da Colcci (imagens: Charles Naseh, site Chic)

A Colcci levou o seu jeanswear para um jardim geométrico. Uma mistura de estampas em que mesmo as florais têm como base as formas geométricas. Desenhos com referências islâmicas, listras e transparências são apontados como “hit da coleção”, ao lado das combinações de texturas numa mesma peça. Adriana Zucco destaca ainda que “o feminino vem mais volumoso, o que é uma novidade para a marca. O jeans é muito forte, todo em alfaiataria, com uma cara mais minimal e sem aviamentos aparentes”. Sobre o clima geral da apresentação, ela o descreve como “super fresh, bem verão e fluído”, e acrescenta, sobre a cartela, que “o desfile é claro, porém bem colorido. Temos um momento de branco muito forte, que acho que é a cor desejo. O verde e amarelo também aparece forte, e é bem inusitado para nós, mas tem essa coisa da brasilidade, que tínhamos muita vontade”.

Adoramos o masculino da Colcci (imagens: Charles Naseh, site Chic)
Adoramos o masculino da Colcci (imagens: Charles Naseh, site Chic)

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